5 oct. 2009

DONIZETE GALVÃO

Fidelidade

María Zambrano alumia as palavras.
Amorosamente, vai abrindo trilhas
que conduzem o aprendiz aos picos,
onde se respira o raro ar da poesia.

Ensina-lhe uma lição de fidelidade.
De como buscar o segredo, ossada oculta,
que ganha existência no momento
em que se revela o que antes dormia.

Aprende-se com ela a colher do silêncio,
da solidão que vem desde a infância,
palavras que precisam ser escritas.

Língua solta não apresenta serventia.
A virtude anula vaidades e paixões:
a voz contida fala mais que gritaria.



Fidelidad


María Zambrano alumbra las palabras.
Amorosamente, va abriendo senderos
que conducen al aprendiz a los picos,
donde se respira el raro aire da la poesía.

Le enseña una lección de fidelidad.
De cómo buscar el secreto, osamenta oculta,
que gana existencia en el momento
en que se revela lo que antes dormía

Se aprende con ella a tomar del silencio,
de la soledad que viene desde la infancia,
palabras que necesitan ser escritas.

Lengua suelta no presenta servidumbre.
La virtud anula vanidades y pasiones:
La voz contenida habla más que si gritara.

Traducción: Paulo Octaviano Terra

Datos: Donizete Galvão nasceu em Borda da Mata, Minas Gerais, Brasil,
em 1955. Publicou Azul navalha ( T.A. Queroz, Editor, 1988),
As faces do rio (Água Viva Editores, 1991), Do silêncio da pedra
(Arte Pau-Brasil, 1996), A carne e o tempo ( Nankin Editorial, 1997)
e Ruminações (Nankin Editorial, 1999), Mundo mudo ( Nankin, 2003).-

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