13 may. 2011

Año 3 - Hoja N° 5 - Bienvenidos - Navegantes 2011


Fotografía: Aída Ovando

Leonardo Martinez (Argentina)

DESTINO COMÚN - Poema V



Yo soy nadie
y me enterrarán vestido de nadie
Los ríos mueren en el mar
o se insumen en los arenales
En ambos casos ingresan a caudales plenos
Yo soy nadie
luego entraré de muerto a la nada
deslucido nombre
para llamar al opulento reino
de cambios y mutaciones infinitas
Ayer nomás tallé este petroglifo
antes fui pez también fugaz insecto
mono fraterno y habitante de Lemuria
Soy nadie
y me enterrarán vestido de nadie
destino de hombre acaudalado de palabras


(de Estricta Ceniza - 2005)


DESTINO COMUM – Poema V



Eu não sou ninguém
e me enterrarão vestido de ninguém
Os rios morrem no mar
ou se consomem na areia
Em ambos casos ingressam em rios caudalosos e cheios
Eu não sou ninguém
logo entrarei como morto ao nada
ofuscado nome
para convocar ao opulento reino
de mudanças e mutações infinitas
Ainda ontem gravei essa inscrição
antes fui peixe e também fugaz inseto
macaco fraterno e habitante da Lemúria
Não sou ninguém
e me enterrarão vestido de ninguém
destino de homem rico de palavras



Traducción: Ronaldo Cagiano

12 may. 2011

Leonardo Martinez (Argentina)

a Cuty Yurilli de Barrionuevo


DESDE EL HUMO de las cocinas negras
diosas de largas cabelleras
regían los destinos de la casa
Caldos ardientes
enjoyados guisos
violentas frituras
desfilaban por la mesa de silencios
donde el niño comía
los trasudados martirios
mientras los pechos de la madre
empollaban la muerte
con dulzura de sagrario
En los claustros divinos
tocadores llenos de ungüentos
despedían ácidos olores
y borrosos al tenue resplandor de las candelas
cujas
doseles
reclinatorios
Reino nocturnal pálido y sombrío
Caliente rencor de los encierros

Pero el día era un gigante
amigo del sol
Al alba los caballos
como una promesa de eternidad
estaban listos
entonces montábamos hacia las cumbres
y eran nuestros el horizonte y las distancias


(de Asuntos de Familia - 1997)




a Cuty Yurilli de Barrionuevo

DESDE A FUMAÇA das cozinhas negras
deusas de longas cabeleiras
regiam os destinos da casa
Caldos ardentes
preciosos guisados
violentas frituras
desfilavam pela mesa de silêncios
onde o menino comia
os surrados martírios
enquanto os peitos da mãe
chocavam a morte
com doçura de santuário
Nos claustros divinos
armários cheios de unguentos
exalavam ácidos odores
e apagados ao tênue resplendor das velas
cujas
dosséis
genuflexórios
Reino noturno pálido e sombrio
Ardente rancor das reclusões

Mas o dia era um gigante
amigo do sol
Ao amanhecer os cavalos
como uma promessa de eternidade
estavam prontos
então montávamos até os cumes
e eram nossos o horizonte e as distâncias



Traducción: Ronaldo Cagiano

Leonardo Martinez (Argentina)

DE LA INFANCIA QUEDA TODO
intacto.
Clausuras llenas de plegarias,
palabras como flores marchitas,
amonestaciones de próceres
quemándose en cielos de sequía,
besos y caricias guardados
en un corazón de monedero.

Nunca fuimos más paganos.
Ríos, montes, desiertos,
eran nuestro cuerpo.

Como pequeños dioses
amábamos el placer,
su pelambre de seda.
Así creamos jardines
de pájaros visionarios y corzuelas sabias,
paraíso de palomas
que todavía ensayan su vuelo
en mi corazón desterrado.


(de El Señor de Autigasta - 1994)



DAS CRIANÇAS TUDO PERMANECE
intacto.
Clausuras cheias de orações,
palavras como flores murchas,
admoestação de heróis
queimando-se em céus secos,
beijos e carícias guardados
em um coração de porta-moedas.

Nunca fomos mais pagãos.
Rios, montes, desertos,
eram nosso corpo.

Como pequenos deuses
amávamos o prazer,
sua pelagem de seda.
Assim criamos jardins
de pássaros visionários e veados sábios,
paraíso de pombas
que ainda ensaiam seu voo
em meu coração desterrado.



Traducción: Ronaldo Cagiano

Mariana Ianelli (Brasil)

MISSIONÁRIOS

Entram como se eu mesmo
Lhes tivesse aberto a porta.
Exigem-me calma e silêncio.

Guardo na casa algo que
Lhes pertence, eles dizem.
Num gesto profundo
Peço que me desculpem:
Desconheço o que seja.

Mas já cada coisa, em cada lugar,
Está virada ao avesso –
Areia no vento, restos de ninguém.

Passam-se dias e cá estão eles,
Entornando o vazio, remexendo,
Perseguindo em vão, destruindo.
Nada a fazer, senão ajudá-los
Nesta busca malsucedida,
Nada que eu mais queira agora,
Senão juntar-me a eles, quadrilha.

Certa noite, resolvemos partir.
Mascarados, em grupo,
Tomamos a casa vizinha.
Diante da porta um homem se detém.
Exigimos-lhe calma e silêncio.


Do livro Fazer Silêncio (ed. Iluminuras, 2005)



Misioneros


Entran como si yo mismo
Les hubiese abierto la puerta.
Me exigen calma y silencio.

Guardo en la casa algo que
Les pertenece, ellos dicen.
En un gesto profundo
Pido que me disculpen:
Desconozco lo que sea.

Pero ya cada cosa, en cada lugar,
Está dada vuelta, en un continuo revés –
Arena en el viento, restos de nadie.

Pasan los días y acá están ellos,
Entornando el vacío, removiendo,
Persiguiendo en vano. Destruyendo.
No hay nada que hacer, sino ayudarlos
En esta búsqueda mal sucedida,
Nada que yo más quiera ahora,
Sino juntarme a ellos, cuadrilla.

Cierta noche, resolvimos partir.
Enmascarados, en grupo,
Tomamos la casa vecina.
Delante de la puerta un hombre se detiene.
Le exigimos calma y silencio.


Traducción: M. Palacios

Mariana Ianelli (Brasil)

Fênix


Esgota-me até o osso,
Mas não agora, não ainda.
Deixa-me que antes eu repita
A história de antigas religiões
E que eu exercite minha fé,
Mesmo que Deus não exista.

Arranca-me o que possuo
Antes que venham os outros
E que tua força me soterre
Sob um monte de cinzas.
Faz-me livre de perguntas,
Como se nada mais pudesse ser dito.

Dá-me o abraço do adeus
Na hora que me foi prometida.
Eu terei retornado à minha origem,
Selando em mistério o indício da partida,
A cabeça despovoada de nuvens,
As chagas caladas em cicatrizes.


Do livro Fazer Silêncio (ed. Iluminuras, 2005)


Fénix


Agótame hasta el hueso,
Pero no ahora, no todavía.
Déjame que antes yo repita
La historia de antiguas religiones
Y que ejercite mi fe,
Aunque Dios no exista.

Arráncame lo que poseo
Antes que vengan los otros
Y que tu fuerza me cubra
Bajo un montón de cenizas.
Hazme libre de preguntas,
Como si nada más pudiera ser dicho.

Dame el abrazo del adiós
A la hora que me ha sido prometida.
Yo habré retornado a mi origen,
Sellando en misterio el indicio de la partida,
La cabeza deshabitada de nubes
y las llagas enmudecidas en cicatrices.


Traducción: M. Palacios

Mariana Ianelli (Brasil)

ABSOLUTO


Para estar em Deus
Há que se provar pelo tato
O rancor dos temporais,
A calma gentil dos regatos,
O segredo das grutas e das ribanceiras.

Para ouvir o canto
De uma sabedoria ignorante de si mesma
E conhecer o topo da coragem
Que as ilíadas desconhecem,
Há que se amar o irracional
Em seu embrião de consciência.

Para entender a razão dos inocentes
E a vitória do instinto
Sobre a conspiração do contingente,
Há que se viver na pele de um animal
E cumprir uma existência inteira
Só pela força dos cornos e dos dentes.

Para desvendar os humores da natureza
De que se fazem as estações do tempo,
Há que se voltar para a terra, em corpo e mente,
E tirar do sal o que se dá a uma semente.
Ser em si o agora-e-sempre. Na morte, ser silêncio.


Do livro Fazer Silêncio (ed. Iluminuras, 2005)


Absoluto


Para estar en Dios
Hay que probar por el tacto
El rencor de los temporales,
La calma gentil de los arroyos,
El secreto de las grutas y de los despeñaderos.

Para oír el canto
De una sabiduría ignorante de sí misma
Y conocer la cima del coraje
Que las ilíadas desconocen,
Hay que amar lo irracional
En su embrión de conciencia.

Para entender la razón de los inocentes
Y la victoria del instinto
Sobre la conspiración de lo contingente,
Hay que vivir en la piel de un animal
Y cumplir con una existencia entera
Tan sólo por la fuerza de los cuernos y de los dientes.

Para develar los humores de la naturaleza
Con los que se hacen las estaciones del tiempo,
Hay que volverse hacia la tierra, en cuerpo y mente,
Y sacar de la sal lo que se da a una semilla.
Ser en sí el ahora-y-siempre. En la muerte, ser silencio.


Traducción: M. Palacios

Marcelo Benini (Brasil)

ALGUNS POEMAS


Ainda menino,
Conheci um sapo regisseur
Desde então, tenho ouvido absoluto
Para a pandorga.





Passava as horas assim
Num espreitar de passarinhos
Assim passava o tempo
Assim a vida passaria
Se não fosse o amor
Se não fosse o amor
Seria passarinho.


(O Capim Sobre o Coleiro - 2010)


Algunos Poemas


Todavía niño,
Conocí un sapo regisseur
Desde entonces, tengo oído absoluto
Para el barrilete.

 
x


Pasaba las horas así
En un acechar de pajaritos
Así pasaba el tiempo
Así la vida pasaría
Si no fuese por el amor
Si no fuese por el amor
Sería pajarito.


Traducción: Alberto Acosta

Marcelo Benini (Brasil)

ALGUNS POEMAS



Às vezes recebia no quarto um sanhaço
E despia-se para o enleio
Olvidava o que tinha de casca,
Preferindo a brisa
O traupídeo, porém, tinha dogmas de asa e partia
O vento e a noite encolhiam-na a residuozinho de gente




Deus está no gosto
Deus é travo
Deus está no olho
Deus é cisco
Deus está nas putas
Deus é um amor perdido
Deus está na janela
Deus repara em tudo


(O Capim Sobre o Coleiro - 2010)


Algunos Poemas


A veces recibía en mi cuarto una tangara
Y se desnudaba para el embeleso
Olvidaba lo que tenía de cáscara,
Prefiriendo la brisa
El plumífero, sin embargo, tenía dogmas de ala y partía
El viento de la noche la encogía a residuito de gente

 
x
 
 
Dios está en el gusto
Dios está disgustado
Dios está en el ojo
Dios es basurita
Dios está en las putas
Dios es un amor perdido
Dios está en la ventana
Dios repara en todo


Traducción: Alberto Acosta

Marcelo Benini (Brasil)

ALGUNS POEMAS


Um dia houve um cismar de adélias na beira do rio
Os peixinhos se regalaram de sol
Os bem-te-vis de azul
Sob o sol da tarde as cercas crinavam de éguas
E os arames se resignaram das farpas, como rosas
Os canários ignoravam os espinhos
Para docemente pegar cabelos baios e nidificar o mundo
Os canários chegavam o mundo para o amarelo
Do outro lado, o rio plangia.

Sei de canários, sanhaços e coleiros
Torturados em gaiolas de bar
Também eles perderam,
Os pequenos bêbados.
De que sentem falta,
Do vôo, do pouso, de amar?
Eu também sou um deles,
Pendurado em mesa de bar
De que sinto falta,
Do vôo, do pouso, de amar?


(O Capim Sobre o Coleiro - 2010)


Algunos Poemas


Un día hubo un cavilar de adelias en la orilla del río
Los pececitos se regalaron de sol
Los benteveos de azul
Bajo el sol de la tarde las cercas se encrinaban de yeguas
Y los alambres se resignaron a las aristas, como rosas
Los canarios ignoraban los espinos
Para dulcemente tomar cabellos bayos y nidificar el mundo
Los canarios hartaban el mundo de amarillo
Del otro lado, el río plañía.
Sé de canarios, tangaras y coleiros
Torturados en jaulas de bar
También ellos perdieron,
Los pequeños borrachos.
¿De qué sienten falta,
Del vuelo, del fondeadero, del amar?
Yo también soy uno de ellos,
Colgando en mesa de bar
¿De qué siento falta,
Del vuelo, del fondeadero, del amar?


Traducción: Alberto Acosta