12 may. 2011

Mariana Ianelli (Brasil)

Fênix


Esgota-me até o osso,
Mas não agora, não ainda.
Deixa-me que antes eu repita
A história de antigas religiões
E que eu exercite minha fé,
Mesmo que Deus não exista.

Arranca-me o que possuo
Antes que venham os outros
E que tua força me soterre
Sob um monte de cinzas.
Faz-me livre de perguntas,
Como se nada mais pudesse ser dito.

Dá-me o abraço do adeus
Na hora que me foi prometida.
Eu terei retornado à minha origem,
Selando em mistério o indício da partida,
A cabeça despovoada de nuvens,
As chagas caladas em cicatrizes.


Do livro Fazer Silêncio (ed. Iluminuras, 2005)


Fénix


Agótame hasta el hueso,
Pero no ahora, no todavía.
Déjame que antes yo repita
La historia de antiguas religiones
Y que ejercite mi fe,
Aunque Dios no exista.

Arráncame lo que poseo
Antes que vengan los otros
Y que tu fuerza me cubra
Bajo un montón de cenizas.
Hazme libre de preguntas,
Como si nada más pudiera ser dicho.

Dame el abrazo del adiós
A la hora que me ha sido prometida.
Yo habré retornado a mi origen,
Sellando en misterio el indicio de la partida,
La cabeza deshabitada de nubes
y las llagas enmudecidas en cicatrices.


Traducción: M. Palacios

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