2 jul. 2010

Ferreira Gullar - Dentro da Noite Veloz

DENTRO DA NOITE VELOZ (1975 - Ed. Civilizaçao Brasileira)



Na Quebrada do Yuro
eram 13.30 horas
(em São Paulo
era mais tarde; em Paris anoitecera;
na Ásia o sono era seda)
Na Quebrada
do rio Yuro
a claridade da hora
mostrava seu fundo escuro:
as águas limpas batiam
sem pasado e sem futuro.
Estalo de mato, pio
de ave, brisa
nas folhas
era silêncio o barulho
a paisagem
(que se move)
está imóvel, se move
dentro de si
(igual que uma máquina de lavar
lavando
sob o céu boliviano, a paisagem
com suas polias e correntes
de ar)
Na Quebrada do Yuro
não era hora nenhuma
só pedras plantas e águas


II


Não era hora nenhuma
até que um tiro
explode em pássaros
e animais
até que passos
vozes na água rosto nas folhas
peito ofegando
a clorofila
penetra o sangue humano
e a hitória
se move
a paisagem
como um trem
comença a andar
Na Quebrada do Yuro eram 13.30 horas

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